o tarot dourado de Klimt

Postado em amorosas páginas de um diário segredado em 23/04/2009 por Amós Kéres

Gustav Klimt e suas fortes entidades alegóricas inspiraram o tarot desenhado por Atanassov. De vez em quando, um aspecto fundamental do trabalho artístico do grande vienense se insurge ou revivificam-se aspectos figurativos composicionais do classicismo helenístico. Um ressurgimento, com raízes na cultura filosófica nietzscheana, que indica um retorno às origens; ou seja, um retorno ao mundo grego antigo, onde a estética autêntica e os modelos éticos ainda podem ser encontrados, sem contaminação. O simbolismo inerente ao tarot é perfeitamente coerente com a cultura simbolista que também deu origem ao trabalho artístico de Klimt. As imagens pictóricas do artista vienense são, de fato, cheias de hermetismo: seus trabalhos parecem ser o retrato de um mistério e, até mais que isso, uma expressão de emoções e impulsos. Um traçado da essência da arte como um enigma, segundo Adorno.


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Gustav Klimt e seu gato

23 abr 2009

pequenas sugestões e receitas de Espanto-Antitédio para senhores e donas de casa

Postado em amorosas páginas de um diário segredado em 11/03/2009 por Amós Kéres

XIII

“Se você quer se matar porque o país está podre, e você quase, pegue uma pedrinha de cânfora e uma lata de caviar e coloque ao lado do seu revólver. Em seguida, coloque a pedrinha de cânfora debaixo da língua e olhe fixamente para a lata de caviar. Só então engatilhe o revólver. (É bom partir com olorosas lembranças. Atenção: não dê um tiro na boca porque a pedrinha de cânfora se estilhaça).”

Hilda Hilst,

em “CONTOS D’ESCÁRNIO/TEXTOS GROTESCOS”

catedral gótica

Postado em odiosas páginas do diário de danado em 07/02/2009 por Amós Kéres

e assim o tempo muda, revoluteiam nuvens carregadas de chuva e os pássaros mudam os rumos, crentes na descrença do tempo. no hoje,  choro de velas e de bocas acesas fazem o infinito parecer cordial. mas a grande verdade dos fatos são os atos! descubro-me encoberto ainda, sonho que acordo no anoitecer e termino dormindo quando o sol já se fez cruel, apagando as marcas de meus pés nas poças que nem vi se formarem, poças da chuva que nem ouvi nem sentir cair, pois que eu já dormia. você não veio mas sua marca ainda ficou nas pedras empoçadas da rua que carregam as pegadas de meus pés e mãos à tua procura, bem sabendo onde estarias nesse celeiro fodido, imundo da bosta que deixam pelos nossos caminhos esses cavalos ariscos.

07 fev 2009

a paz do barulho calado

Postado em odiosas páginas do diário de danado em 29/01/2009 por Amós Kéres

e depois de meses com sufocos e agonias previstas e nunca desejadas, volta-se o assassino ao seu campo de crime. é indescritível tentar fazer alguém (até eu mesmo!) crer em tudo da forma tosca como se deu. mas deu-se. ele foi libertado e eu fiquei aprisionado, tentando desentender os nós já desatados e marcar um lugar como campo neutro onde a força de algo desconhecido pudesse atravancar esse empuxo ao precipício. é duro não saber como dizer. talvez eu nem mesmo saiba o porquê de ter existido tudo. mas sei como foi. e também como poderia ter acontecido tudo.

29 jan 2009

num começo de um espanto

Postado em odiosas páginas do diário de danado em 11/11/2008 por Amós Kéres

aquela mulher me deixou com medo. deu-me um medo grande de saber que seria possível sentir a raiva e a vontade de vingança que ela mesma foi forçada a sentir. de uma quase imperceptível presença, a não ser quando citada em sua dor, ela tornou-se o centro de toda a trama, por mais que seus criadores tivessem feito o contrário para definir sua existência, ou por menos que eu o soubesse assim. o fato é que me espantei muito comigo mesmo, me descobrindo talvez passível de existir na ficção, capaz de tudo sem saber a que fim eu mesmo poderia me dirigir. não que houvessem anúncios de tal situação, porém via-se algo trágico, como em todo final que se sabe ser trágico. ela, a musa bárbara naquele antro fedido, nunca mostrou-se menos que os outros abjetos vizinhos, ao invés, uma soberba, mesmo sabendo a causa de uma sensação refletida em minha têmpora que doía no exato instante em que terminei de conhecer Medéia.

11 nov 2008

"medea" by sandys

"medea" _ by sandys

00/11/0101

Postado em odiosas páginas do diário de danado em 10/11/2008 por Amós Kéres

eu nasci. minha mãe estava ausente, cuidando de sua labirintite. ou melhor, deixando que outros a diagnosticassem. mas o que importa é que fui alimentado, rente ao peito de meu amor-de-leite até hoje, 1872, quando completo alguns anos de morte.

10 nov 2008

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